Exame

Pesquisa de Helicobacter pylori

Conjunto de exames que investigam a bactéria Helicobacter pylori, ligada a gastrite, úlcera e dispepsia. Inclui o teste respiratório da ureia, o antígeno fecal e a pesquisa durante a endoscopia. Alguns medicamentos precisam ser suspensos antes para não gerar falso-negativo.

Evidência alta Revisado em 04 de junho de 2026
Resposta rápida

A pesquisa de Helicobacter pylori procura essa bactéria no estômago por diferentes métodos: o teste respiratório da ureia, o antígeno nas fezes e a biópsia durante a endoscopia. Os testes não invasivos são muito usados. Para evitar resultados falsamente negativos, é preciso suspender antes os inibidores da bomba de prótons e os antibióticos, respeitando os prazos orientados.

Ficha técnica
Objetivo
Identificar a infecção pelo Helicobacter pylori, causa importante de gastrite, úlcera péptica e parte das dispepsias, orientando o tratamento de erradicação e a confirmação de cura após o tratamento.
Preparo
Depende do método, mas dois cuidados são gerais: suspender os inibidores da bomba de prótons por cerca de 2 semanas e os antibióticos (e o bismuto) por cerca de 4 semanas antes do exame, pois reduzem a bactéria e causam falso-negativo. O teste respiratório e o antígeno fecal costumam exigir jejum; a endoscopia exige jejum e sedação.
Sensibilidade
Alta para o teste respiratório da ureia e o antígeno fecal quando o preparo é respeitado; a biópsia depende do local e do número de amostras.
Especificidade
Alta para os métodos não invasivos bem realizados e para a análise histológica da biópsia.
Valores de referência
ParâmetroFaixa
Teste respiratório da ureia — positivoMarcação de CO2 acima do ponto de corteIndica infecção ativa; válido para diagnóstico e confirmação de cura
Antígeno fecal — positivoAntígeno detectável nas fezesIndica infecção ativa; também útil para confirmar erradicação
Sorologia (IgG) — positivaAnticorpos detectáveis no sangueNão distingue infecção atual de passada; não confirma cura
Limitações importantes
  • IBP, antibióticos e bismuto recentes causam falso-negativo se não forem suspensos
  • Sangramento digestivo ativo pode reduzir a sensibilidade de alguns testes
  • A sorologia (anticorpos no sangue) não distingue infecção atual de passada e não serve para confirmar cura
  • A endoscopia é invasiva e reservada a quem tem outra indicação para o exame
  • A confirmação de cura deve ser feita por método que detecta bactéria ativa, não por sorologia

Para que serve a pesquisa de H. pylori

O Helicobacter pylori é uma bactéria que coloniza o estômago e está por trás de boa parte das gastrites, da maioria das úlceras pépticas e de uma fração das dispepsias. Investigá-lo importa porque a infecção tem tratamento — a chamada erradicação, feita com antibióticos combinados —, e eliminá-la cura úlceras, reduz recidivas e, em alguns casos, melhora a dispepsia.

Há vários métodos para pesquisar a bactéria, com precisões parecidas quando bem realizados. A escolha depende de a pessoa precisar ou não de uma endoscopia por outro motivo, da disponibilidade e da fase da investigação — se é o primeiro diagnóstico ou a confirmação de cura após o tratamento.

Os principais métodos

Teste respiratório da ureia. É um exame não invasivo e muito preciso. A pessoa ingere uma ureia marcada; se o H. pylori estiver presente, a bactéria a decompõe e libera gás carbônico marcado, detectado no ar expirado. É um dos métodos preferidos, tanto para o diagnóstico quanto para confirmar a erradicação, porque detecta infecção ativa.

Antígeno fecal. Procura fragmentos da bactéria nas fezes. Também é não invasivo, com alta precisão, e igualmente útil para diagnóstico e confirmação de cura. É uma boa alternativa ao teste respiratório, especialmente pela praticidade.

Endoscopia com biópsia. Durante a endoscopia digestiva alta, colhem-se amostras da mucosa para pesquisar a bactéria por testes rápidos ou análise histológica. Como é invasiva, fica reservada a quem já tem indicação de endoscopia, por exemplo diante de sinais de alarme.

Há ainda a sorologia, que detecta anticorpos no sangue. É a opção menos útil: não distingue infecção atual de passada e não serve para confirmar cura, já que os anticorpos podem persistir mesmo depois de a bactéria ter sido eliminada.

O cuidado com medicamentos antes do exame

Este é o ponto que mais gera erro na prática. Alguns medicamentos suprimem o H. pylori sem eliminá-lo de fato, reduzindo tanto sua quantidade que os testes deixam de detectá-lo — um falso-negativo. Como consequência, alguém infectado recebe um resultado normal e deixa de tratar.

Para evitar isso, a regra geral é suspender antes:

  • Inibidores da bomba de prótons (como omeprazol e similares): cerca de 2 semanas antes.
  • Antibióticos e compostos de bismuto: cerca de 4 semanas antes.

Esses cuidados valem para o teste respiratório, o antígeno fecal e a biópsia — ou seja, para os métodos que detectam a bactéria ativa. Os prazos devem ser sempre confirmados com quem solicitou o exame, e a suspensão de medicamentos precisa ser orientada, nunca feita por conta própria.

Como se preparar

Além da suspensão dos medicamentos, o teste respiratório e o antígeno fecal costumam exigir jejum. A endoscopia exige jejum de cerca de 8 horas e sedação, com acompanhante e sem dirigir no restante do dia. Sangramento digestivo ativo pode reduzir a sensibilidade de alguns testes e às vezes leva a repetir a investigação depois.

O que dizem as evidências

A pesquisa de H. pylori está bem estabelecida, e os métodos que detectam infecção ativa — teste respiratório da ureia e antígeno fecal — têm alta precisão quando o preparo é respeitado. Consensos sobre testes não invasivos do trato digestivo, como o de Rezaie et al. (2017) no campo dos testes respiratórios, reforçam a importância de padronizar o preparo e a interpretação para que o resultado seja confiável. É por isso que a suspensão de IBP e antibióticos antes do exame não é um detalhe: sem ela, a taxa de falso-negativo sobe e o valor do teste despenca.

As limitações orientam a escolha do método. A sorologia, embora prática, não distingue infecção atual de passada e não confirma cura, o que restringe seu uso. A endoscopia é precisa quando associada à biópsia, mas é invasiva e não se justifica só para pesquisar a bactéria em quem não tem outra indicação para o exame. E a confirmação de erradicação após o tratamento deve usar um teste de bactéria ativa, feito com o intervalo adequado, e nunca a sorologia. Bem escolhida e bem preparada, a pesquisa de H. pylori responde com segurança à pergunta “há infecção ativa agora?” — e essa resposta define quem precisa tratar e quem já está curado.

Perguntas frequentes

Preciso parar o omeprazol antes do teste?

Sim, na maioria dos casos. Os inibidores da bomba de prótons, como o omeprazol, reduzem a quantidade de Helicobacter pylori no estômago e podem tornar o teste falsamente negativo. A recomendação usual é suspendê-los por cerca de 2 semanas antes do teste respiratório, do antígeno fecal ou da biópsia. Antibióticos e bismuto devem ser suspensos por mais tempo, cerca de 4 semanas. Sempre confirme os prazos com quem solicitou o exame.

Qual é o melhor método para pesquisar H. pylori?

Não há um único melhor para todos. O teste respiratório da ureia e o antígeno fecal são excelentes métodos não invasivos, com alta precisão, e costumam ser a primeira escolha em quem não precisa de endoscopia. A endoscopia com biópsia é preferida quando já existe indicação para examinar o estômago — por exemplo, diante de sinais de alarme. A sorologia é menos útil, porque não distingue infecção atual de passada.

Depois do tratamento, como saber se a bactéria foi eliminada?

A confirmação de cura deve usar um método que detecte a bactéria ativa, como o teste respiratório da ureia ou o antígeno fecal, feito algumas semanas após o fim do tratamento e respeitando a suspensão dos medicamentos que interferem. A sorologia não serve para isso, porque os anticorpos podem permanecer positivos por muito tempo mesmo após a bactéria ter sido eliminada.

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