Exame

Manometria Esofágica

Exame que mede a pressão no esôfago e no esfíncter esofágico inferior. Padrão de referência para diagnosticar distúrbios da motilidade esofágica como acalásia e esclerodermia esofágica.

Evidência alta Revisado em 09 de julho de 2026
Resposta rápida

A manometria esofágica mede a pressão e a coordenação das contrações do esôfago por meio de um cateter fino inserido pelo nariz. É o exame padrão para diagnosticar acalásia e outros distúrbios da motilidade esofágica, especialmente na investigação de disfagia sem lesão visível à endoscopia. Não requer sedação, mas pode ser desconfortável.

Ficha técnica
Objetivo
Avaliar a função motora do esôfago — pressão e coordenação das contrações — e a competência dos esfíncteres esofágicos, especialmente o inferior.
Preparo
Jejum de 4 a 6 horas. Suspender procinéticos e certos outros medicamentos conforme orientação médica. Não requer sedação; um cateter fino é passado pela narina até o estômago.
Sensibilidade
Alta para diagnóstico de acalásia (praticamente definitivo quando padrão típico está presente); variável para outros distúrbios de motilidade.
Especificidade
Alta para acalásia; moderada para disfunções menores de motilidade.
Valores de referência
ParâmetroFaixa
Pressão do esfíncter esofágico inferior (EEI)10–45 mmHg (manometria convencional)Valores abaixo de 10 mmHg sugerem hipotonia do EEI; acima de 45 ou sem relaxamento adequado sugere acalásia
Peristaltismo esofágicoContrações coordenadas em >80% das deglutiçõesFalhas de transmissão ou padrão espástico indicam distúrbios de motilidade
Limitações importantes
  • Desconforto durante a passagem do cateter
  • Interpretação requer experiência do examinador
  • Manometria convencional pode ser complementada pela de alta resolução (padrão atual)
  • Não visualiza a mucosa — não substitui a endoscopia

O que a manometria mede

O esôfago não é um tubo passivo. Cada deglutição deflagra uma onda coordenada de contrações que empurra o bolo alimentar da garganta até o estômago — e dois esfíncteres, um na parte de cima e outro na parte de baixo, abrem e fecham no momento certo. Quando esse sistema falha, o resultado pode ser disfagia, dor no peito, regurgitação ou sensação de comida parada.

A manometria esofágica mede exatamente isso: a pressão gerada pelas contrações e a capacidade dos esfíncteres de abrir e fechar adequadamente. Um cateter com sensores de pressão é passado pela narina até o estômago e depois retirado lentamente enquanto o paciente faz deglutições programadas — geralmente de 5 a 10 ml de água. Cada sensor registra a pressão local ao longo do tempo.

Manometria convencional vs. manometria de alta resolução

A manometria convencional usava poucos pontos de medição ao longo do esôfago. Funcionava bem para os casos clássicos, mas a interpretação de padrões mais sutis era difícil. A manometria de alta resolução (HRM), que é o padrão atual, resolve isso com um cateter que possui dezenas de sensores distribuídos continuamente, gerando um mapa topográfico colorido — uma espécie de imagem de pressão ao longo do tempo e da posição no esôfago.

Esse mapa tornou possível a Classificação de Chicago, hoje a referência internacional para classificar os distúrbios de motilidade esofágica. A classificação divide a acalásia em três subtipos com implicações terapêuticas distintas, e define critérios objetivos para outros padrões como espasmo esofágico difuso, peristaltismo hipercontrátil (esôfago em quebra-nozes) e peristaltismo ausente — este último comum na esclerodermia.

Diagnóstico de acalásia: o principal uso

A acalásia é o distúrbio de motilidade mais bem definido pela manometria. Ela se caracteriza por falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior após a deglutição e ausência de peristaltismo normal. Sem esse relaxamento, o alimento não passa para o estômago e fica represado no esôfago.

Os três subtipos da Classificação de Chicago têm relevância prática:

  • Tipo I (clássico): sem pressurização e sem peristaltismo.
  • Tipo II (com pressurização): pressurização panesofágica — associado à melhor resposta ao tratamento.
  • Tipo III (espástico): contrações prematuras e espásticas — o tipo de resposta mais difícil, frequentemente tratado com miotomia endoscópica (POEM).

Essa distinção não é academic; ela guia a escolha entre dilatação pneumática, miotomia cirúrgica ou POEM, e a definição correta do subtipo melhora os desfechos.

Como é feito e como se preparar

O preparo é simples: jejum de quatro a seis horas e suspensão de medicamentos que afetam a motilidade esofágica (procinéticos, nitratos, bloqueadores de canal de cálcio) por tempo suficiente para não interferir no resultado — o médico solicitante orienta o intervalo. Não é necessária sedação.

O cateter, fino como um espaguete, é lubrificado e inserido pela narina. A passagem pela nasofaringe é o momento mais desconfortável; uma vez no esôfago, a maioria tolera bem. O exame dura entre 30 e 60 minutos, e o paciente segue instruções específicas de deglutição. O resultado é interpretado por um especialista com experiência em manometria — a leitura de mapas topográficos exige treinamento.

O que a manometria não responde

A manometria mede pressão e motilidade. Ela não visualiza a mucosa e, portanto, não diagnostica esofagite, úlceras, tumores ou estenoses — para isso é a endoscopia, que costuma preceder a manometria na investigação de disfagia. Também não mede ácido: para confirmar refluxo gastroesofágico e quantificar a exposição ácida, o exame indicado é a pH-metria esofágica.

O que dizem as evidências

A manometria, especialmente a de alta resolução, tem evidência sólida como padrão diagnóstico para acalásia. Nenhum outro exame não invasivo oferece a mesma especificidade para esse diagnóstico. Para outros distúrbios de motilidade — espasmo difuso, peristaltismo hipercontrátil — a manometria classifica e nomeia, mas a correlação clínica (os sintomas correspondem aos achados?) é tão importante quanto o resultado em si. Padrões anormais de motilidade são encontrados em pessoas sem sintomas, e a interpretação exige julgamento clínico, não apenas números fora do intervalo de referência.

Perguntas frequentes

A manometria esofágica dói?

Dor não é o termo mais preciso — o exame é desconfortável. A passagem do cateter pelo nariz e pela garganta provoca uma sensação de pressão e pode ativar o reflexo de náusea. Uma vez posicionado, a maioria das pessoas tolera bem as deglutições pedidas ao longo do exame. Não é necessária sedação, e o procedimento costuma durar entre 30 e 60 minutos.

Qual a diferença entre a manometria convencional e a de alta resolução?

A manometria de alta resolução (HRM) usa um cateter com muito mais sensores — em vez de poucos pontos de pressão, ela mapeia o esôfago inteiro de forma contínua, gerando um mapa topográfico colorido da atividade motora. Isso permite identificar padrões que a manometria convencional poderia sugerir mas não confirmar. A HRM virou o padrão atual nos serviços de referência.

Quando é indicada junto com outros exames?

A manometria responde à pergunta sobre motilidade e pressão, mas não vê a mucosa nem mede ácido. Na maioria dos casos de disfagia ou suspeita de acalásia, ela é feita após uma endoscopia (para afastar obstrução mecânica) e pode ser completada pela pH-metria quando a questão é refluxo. São exames complementares, não substitutos.

O resultado da manometria define o tratamento da acalásia?

Sim, em grande medida. A Classificação de Chicago divide a acalásia em três subtipos (I, II e III) com base no padrão manométrico, e esse subtipo influencia a escolha do tratamento — dilatação pneumática, miotomia cirúrgica ou POEM (miotomia endoscópica). Por isso a manometria não é apenas diagnóstica: ela orienta a conduta.

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