Mesalazina (5-ASA)
Anti-inflamatório aminossalicilato de primeira linha na colite ulcerativa leve a moderada. Atua localmente na mucosa intestinal com poucos efeitos sistêmicos.
A mesalazina é o remédio de primeira linha na colite ulcerativa leve a moderada. Ela age direto na parede do intestino, reduzindo a inflamação localmente, com pouca absorção para o corpo. Serve tanto para tirar a doença da crise quanto para mantê-la controlada, e existe em comprimido, enema e supositório conforme a parte do cólon afetada.
- Princípio ativo
- Mesalazina (ácido 5-aminossalicílico)
- Classe
- Aminossalicilatos
- Mecanismo
- Inibe a síntese de prostaglandinas e leucotrienos na mucosa colônica, reduzindo localmente a resposta inflamatória.
- No Brasil
- Disponível por nome genérico e marcas (Mesacol, Pentasa). Diferentes formulações (oral, enema, supositório) para atingir diferentes segmentos do cólon.
- Colite ulcerativa leve a moderada (indução e manutenção da remissão)
- Doença de Crohn com envolvimento colônico (evidência menor)
- Hipersensibilidade a salicilatos
- Insuficiência renal grave (nefrotóxico em doses altas)
- Cefaleia
- Náusea
- Diarreia paradoxal (rara)
- Nefrotoxicidade (rara, monitorar creatinina)
Como funciona
A mesalazina é o ácido 5-aminossalicílico, o componente ativo por trás do nome 5-ASA. Ela pertence à classe dos aminossalicilatos e age de um jeito bem particular: o efeito é local, na própria parede do intestino, e não sistêmico. Ao entrar em contato com a mucosa inflamada do cólon, reduz a produção de mediadores da inflamação, como prostaglandinas e leucotrienos, acalmando o processo inflamatório onde ele acontece.
Essa ação local é a grande vantagem do medicamento. Como pouco da mesalazina é absorvida para a corrente sanguínea, os efeitos sobre o resto do corpo são limitados, o que torna o remédio bem tolerado mesmo em uso prolongado.
Indicações na colite ulcerativa
A retocolite ulcerativa leve a moderada é o território natural da mesalazina, e ali ela cumpre dois papéis. O primeiro é induzir a remissão: tirar a doença de uma fase de atividade, reduzindo diarreia, sangramento e urgência. O segundo, igualmente importante, é manter essa remissão ao longo do tempo, evitando que a inflamação volte.
Na doença de Crohn o papel é mais discreto. Quando há envolvimento do cólon, a mesalazina às vezes é usada, mas a evidência de benefício é bem menor do que na colite ulcerativa, e outros tratamentos costumam ter prioridade.
Vias de administração
Uma característica prática da mesalazina é a variedade de formulações, pensada para alcançar diferentes trechos do intestino grosso. Os comprimidos de liberação programada distribuem o princípio ativo ao longo do cólon. Os enemas alcançam o reto e o cólon esquerdo. Os supositórios agem no reto, ideal quando a doença fica restrita a essa região. Em quadros mais extensos, a via oral e a retal são combinadas para cobrir toda a área inflamada.
Segurança renal
O ponto de atenção mais relevante da mesalazina são os rins. Embora incomum, a nefrotoxicidade pode ocorrer, especialmente com doses altas e tratamento prolongado. Por isso a função renal costuma ser acompanhada periodicamente, com dosagem de creatinina, e em pessoas com insuficiência renal grave o uso exige cautela. Fora isso, os efeitos adversos mais comuns são leves — dor de cabeça, náusea e, raramente, uma piora paradoxal da diarreia.
O que dizem as evidências
A mesalazina está entre os medicamentos com base de evidência mais firme na gastroenterologia. Revisões sistemáticas de ensaios controlados mostram, de forma consistente, que os aminossalicilatos são eficazes tanto para induzir quanto para manter a remissão na colite ulcerativa leve a moderada, com número necessário para tratar (NNT) favorável — ou seja, é preciso tratar poucos pacientes para evitar uma recidiva a mais em comparação ao placebo. É por essa solidez que ocupa a primeira linha nessa condição.
Vale, ainda assim, ser realista sobre os limites. A mesalazina funciona bem na doença leve a moderada, mas não é suficiente para todos. Nos quadros mais graves ou que não respondem, entram outras terapias, como corticoides, imunossupressores e biológicos. Reconhecer quando a mesalazina deixou de dar conta é parte importante do manejo — insistir nela numa doença que já a superou apenas atrasa um tratamento mais eficaz.
Perguntas frequentes
Por que existem comprimido, enema e supositório de mesalazina?
Porque a colite ulcerativa pode acometer trechos diferentes do intestino grosso, e o objetivo é levar o remédio até onde a inflamação está. O supositório atua no reto; o enema alcança o reto e o cólon esquerdo; o comprimido, com liberação programada, distribui a mesalazina por segmentos mais amplos. Em doença mais extensa, combina-se a via oral com a retal.
Preciso continuar a mesalazina mesmo sem sintomas?
Em geral sim. Na colite ulcerativa, a mesalazina é usada não só para tirar a doença da crise, mas para manter a remissão a longo prazo. Interromper por conta própria quando se está bem aumenta o risco de recidiva. Qualquer mudança de dose deve ser decidida com o médico.
A mesalazina faz mal aos rins?
A nefrotoxicidade é um efeito raro, mas real, sobretudo em doses altas e uso prolongado. Por isso costuma-se monitorar a função renal com dosagem de creatinina de tempos em tempos. Em quem já tem insuficiência renal grave, o remédio exige cautela especial.