Colite microscópica
A colite microscópica causa diarreia aquosa crônica, sem sangue, num intestino que parece completamente normal ao olho na colonoscopia. O diagnóstico só é possível pela biópsia, que revela a inflamação invisível a olho nu. É mais comum em mulheres acima dos 50 anos.
Colite microscópica é uma inflamação do intestino grosso que provoca diarreia aquosa crônica, mas não aparece na imagem da colonoscopia: o cólon parece normal. Só a análise das biópsias ao microscópio revela as alterações. Tem dois subtipos, a colite colágena e a colite linfocítica, e está bastante ligada ao uso de certos medicamentos, como anti-inflamatórios, inibidores da bomba de prótons e alguns antidepressivos.
O que é
A colite microscópica é uma inflamação crônica do intestino grosso com uma característica que a define e a torna traiçoeira: o cólon parece perfeitamente normal na colonoscopia. Não há úlceras, feridas nem áreas avermelhadas visíveis. Toda a alteração está no plano microscópico, e por isso o diagnóstico depende inteiramente da biópsia. Sem coletar amostras de uma mucosa de aparência saudável, o achado passa despercebido.
Existem dois subtipos, definidos pelo que o patologista encontra ao microscópio. Na colite colágena, uma faixa espessada de colágeno se forma logo abaixo do revestimento intestinal. Na colite linfocítica, há um número aumentado de linfócitos, células de defesa, infiltrados entre as células que forram o intestino. Os dois quadros causam sintomas quase idênticos e recebem tratamento parecido, de modo que a distinção interessa mais ao entendimento do que à conduta prática.
Sintomas
O sintoma dominante é a diarreia aquosa, sem sangue, que persiste por semanas ou meses. Costuma vir acompanhada de urgência para evacuar, evacuações noturnas (um detalhe que ajuda a diferenciar de quadros funcionais) e, com frequência, cólicas ou desconforto abdominal. Perda de peso e cansaço podem aparecer quando a diarreia é intensa e prolongada.
Por provocar diarreia crônica num intestino de aparência normal, a colite microscópica é muitas vezes confundida com a síndrome do intestino irritável. A diferença é que aqui existe uma inflamação real, ainda que microscópica, e que as evacuações noturnas e a idade de início mais tardia devem levantar a suspeita e motivar a biópsia.
Fatores associados
A colite microscópica aparece com mais frequência em mulheres a partir dos 50 anos. Chama atenção sua ligação com medicamentos de uso comum: anti-inflamatórios não esteroides, inibidores da bomba de prótons e alguns antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina figuram entre os mais citados. Há também associação com doenças autoimunes, incluindo a doença celíaca, que vale investigar quando os sintomas não respondem como o esperado. O tabagismo é outro fator de risco reconhecido.
É importante ler essas associações com cuidado. Que um medicamento apareça ligado à doença em estudos de população não significa que ele tenha causado o quadro em uma pessoa específica. Ainda assim, revisar a lista de remédios e suspender, sob orientação, os suspeitos costuma ser um passo inicial razoável e às vezes suficiente.
Como é diagnosticada
O diagnóstico exige colonoscopia com biópsias. Diante de diarreia aquosa crônica sem causa aparente, o médico coleta amostras de diferentes pontos do cólon mesmo que a mucosa pareça normal, e é essa decisão que faz toda a diferença. A análise histológica identifica o colágeno espessado ou o infiltrado de linfócitos e define o subtipo. Sem biópsia dirigida, o diagnóstico simplesmente não se faz.
O que dizem as evidências
Entre as causas de diarreia crônica, a colite microscópica é uma das que contam com tratamento mais bem estudado. A budesonida, um corticoide de ação predominantemente local no intestino e com pouca absorção para o resto do corpo, é sustentada por ensaios clínicos randomizados que mostram taxas altas de remissão dos sintomas: é o tratamento com melhor respaldo e, na maioria das diretrizes, a primeira escolha para induzir a melhora.
O ponto menos animador está na durabilidade. As recaídas após suspender a budesonida são comuns, e parte das pessoas precisa de doses baixas de manutenção por períodos prolongados, o que reabre a discussão sobre efeitos de uso contínuo de corticoide. A mesalazina já foi bastante usada, mas as evidências que a sustentam na colite microscópica são mais fracas do que as da budesonida, e hoje ela ocupa um papel secundário.
Medidas complementares (suspender medicamentos suspeitos, parar de fumar, tratar uma doença celíaca coexistente) fazem parte do manejo e podem, por si só, aliviar os sintomas. O prognóstico geral é bom: trata-se de uma doença benigna, que não evolui para câncer nem provoca as lesões estruturais das doenças inflamatórias intestinais clássicas, embora possa recair e exigir acompanhamento ao longo do tempo.
Perguntas frequentes
Se a colonoscopia foi normal, como se descobre a colite microscópica?
Justamente por isso o nome traz a palavra microscópica. Na colonoscopia, o revestimento do cólon parece saudável a olho nu. O diagnóstico depende de o médico coletar biópsias mesmo diante de uma mucosa de aparência normal, quando há diarreia aquosa crônica sem explicação. É a análise dessas amostras ao microscópio que identifica a colite colágena ou a linfocítica.
Qual a diferença entre colite colágena e colite linfocítica?
As duas causam sintomas praticamente iguais e são tratadas de forma semelhante. A distinção é o que o patologista vê: na colágena, há uma faixa espessada de colágeno logo abaixo do revestimento; na linfocítica, há aumento de um tipo de célula de defesa entre as células do intestino. Na prática do dia a dia, essa diferença muda pouco a conduta.
Algum remédio que uso pode ter causado?
Vários medicamentos estão associados à colite microscópica, entre eles anti-inflamatórios não esteroides, inibidores da bomba de prótons e alguns antidepressivos do tipo inibidores da recaptação de serotonina. A associação não prova causa em cada pessoa, mas revisar a lista de remédios e suspender, com orientação médica, os que forem suspeitos costuma ser um dos primeiros passos.
É uma doença grave? Vira câncer?
A colite microscópica incomoda bastante pela diarreia persistente, mas é considerada uma condição benigna: não aumenta o risco de câncer de intestino e não causa as complicações estruturais da doença de Crohn ou da retocolite ulcerativa. Muitos casos entram em remissão com tratamento, embora possa haver recaídas.