Condição

Colite microscópica

A colite microscópica causa diarreia aquosa crônica, sem sangue, num intestino que parece completamente normal ao olho na colonoscopia. O diagnóstico só é possível pela biópsia, que revela a inflamação invisível a olho nu. É mais comum em mulheres acima dos 50 anos.

Evidência moderada CID K52.8 Revisado em 12 de julho de 2026
Resposta rápida

Colite microscópica é uma inflamação do intestino grosso que provoca diarreia aquosa crônica, mas não aparece na imagem da colonoscopia: o cólon parece normal. Só a análise das biópsias ao microscópio revela as alterações. Tem dois subtipos, a colite colágena e a colite linfocítica, e está bastante ligada ao uso de certos medicamentos, como anti-inflamatórios, inibidores da bomba de prótons e alguns antidepressivos.

O que é

A colite microscópica é uma inflamação crônica do intestino grosso com uma característica que a define e a torna traiçoeira: o cólon parece perfeitamente normal na colonoscopia. Não há úlceras, feridas nem áreas avermelhadas visíveis. Toda a alteração está no plano microscópico, e por isso o diagnóstico depende inteiramente da biópsia. Sem coletar amostras de uma mucosa de aparência saudável, o achado passa despercebido.

Existem dois subtipos, definidos pelo que o patologista encontra ao microscópio. Na colite colágena, uma faixa espessada de colágeno se forma logo abaixo do revestimento intestinal. Na colite linfocítica, há um número aumentado de linfócitos — células de defesa — infiltrados entre as células que forram o intestino. Os dois quadros causam sintomas quase idênticos e recebem tratamento parecido, de modo que a distinção interessa mais ao entendimento do que à conduta prática.

Sintomas

O sintoma dominante é a diarreia aquosa, sem sangue, que persiste por semanas ou meses. Costuma vir acompanhada de urgência para evacuar, evacuações noturnas — um detalhe que ajuda a diferenciar de quadros funcionais — e, com frequência, cólicas ou desconforto abdominal. Perda de peso e cansaço podem aparecer quando a diarreia é intensa e prolongada.

Por provocar diarreia crônica num intestino de aparência normal, a colite microscópica é muitas vezes confundida com a síndrome do intestino irritável. A diferença é que aqui existe uma inflamação real, ainda que microscópica, e que as evacuações noturnas e a idade de início mais tardia devem levantar a suspeita e motivar a biópsia.

Fatores associados

A colite microscópica aparece com mais frequência em mulheres a partir dos 50 anos. Chama atenção sua ligação com medicamentos de uso comum: anti-inflamatórios não esteroides, inibidores da bomba de prótons e alguns antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina figuram entre os mais citados. Há também associação com doenças autoimunes, incluindo a doença celíaca, que vale investigar quando os sintomas não respondem como o esperado. O tabagismo é outro fator de risco reconhecido.

É importante ler essas associações com cuidado. Que um medicamento apareça ligado à doença em estudos de população não significa que ele tenha causado o quadro em uma pessoa específica. Ainda assim, revisar a lista de remédios e suspender, sob orientação, os suspeitos costuma ser um passo inicial razoável e às vezes suficiente.

Como é diagnosticada

O diagnóstico exige colonoscopia com biópsias. Diante de diarreia aquosa crônica sem causa aparente, o médico coleta amostras de diferentes pontos do cólon mesmo que a mucosa pareça normal — e é essa decisão que faz toda a diferença. A análise histológica identifica o colágeno espessado ou o infiltrado de linfócitos e define o subtipo. Sem biópsia dirigida, o diagnóstico simplesmente não se faz.

O que dizem as evidências

Entre as causas de diarreia crônica, a colite microscópica é uma das que contam com tratamento mais bem estudado. A budesonida, um corticoide de ação predominantemente local no intestino e com pouca absorção para o resto do corpo, é sustentada por ensaios clínicos randomizados que mostram taxas altas de remissão dos sintomas — é o tratamento com melhor respaldo e, na maioria das diretrizes, a primeira escolha para induzir a melhora.

O ponto menos animador está na durabilidade. As recaídas após suspender a budesonida são comuns, e parte das pessoas precisa de doses baixas de manutenção por períodos prolongados, o que reabre a discussão sobre efeitos de uso contínuo de corticoide. A mesalazina já foi bastante usada, mas as evidências que a sustentam na colite microscópica são mais fracas do que as da budesonida, e hoje ela ocupa um papel secundário.

Medidas complementares — suspender medicamentos suspeitos, parar de fumar, tratar uma doença celíaca coexistente — fazem parte do manejo e podem, por si só, aliviar os sintomas. O prognóstico geral é bom: trata-se de uma doença benigna, que não evolui para câncer nem provoca as lesões estruturais das doenças inflamatórias intestinais clássicas, embora possa recair e exigir acompanhamento ao longo do tempo.

Perguntas frequentes

Se a colonoscopia foi normal, como se descobre a colite microscópica?

Justamente por isso o nome traz a palavra microscópica. Na colonoscopia, o revestimento do cólon parece saudável a olho nu. O diagnóstico depende de o médico coletar biópsias mesmo diante de uma mucosa de aparência normal, quando há diarreia aquosa crônica sem explicação. É a análise dessas amostras ao microscópio que identifica a colite colágena ou a linfocítica.

Qual a diferença entre colite colágena e colite linfocítica?

As duas causam sintomas praticamente iguais e são tratadas de forma semelhante. A distinção é o que o patologista vê: na colágena, há uma faixa espessada de colágeno logo abaixo do revestimento; na linfocítica, há aumento de um tipo de célula de defesa entre as células do intestino. Na prática do dia a dia, essa diferença muda pouco a conduta.

Algum remédio que uso pode ter causado?

Vários medicamentos estão associados à colite microscópica, entre eles anti-inflamatórios não esteroides, inibidores da bomba de prótons e alguns antidepressivos do tipo inibidores da recaptação de serotonina. A associação não prova causa em cada pessoa, mas revisar a lista de remédios e suspender, com orientação médica, os que forem suspeitos costuma ser um dos primeiros passos.

É uma doença grave? Vira câncer?

A colite microscópica incomoda bastante pela diarreia persistente, mas é considerada uma condição benigna: não aumenta o risco de câncer de intestino e não causa as complicações estruturais da doença de Crohn ou da retocolite ulcerativa. Muitos casos entram em remissão com tratamento, embora possa haver recaídas.

Próximos passos