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Vilosidades Intestinais

As vilosidades intestinais são estruturas microscópicas que dão ao interior do intestino delgado sua textura aveludada característica. Cada vilosidade é recoberta por enterócitos com microvilosidades, multiplicando a área disponível para absorção. Na doença celíaca não tratada, elas são destruídas, causando má absorção grave.

anatomia Revisado em 12 de julho de 2026
Resposta rápida

Projeções em forma de dedo que revestem o intestino delgado por dentro, ampliando a superfície de absorção de nutrientes em até 100 vezes.

Estrutura e função

O intestino delgado precisa absorver grandes volumes de nutrientes em poucas horas após cada refeição. Para isso, evoluiu uma solução elegante: dobrar, torcer e projetar sua superfície interna em múltiplas escalas, criando uma área total de absorção desproporcional ao comprimento do tubo.

As vilosidades são o segundo nível dessa ampliação. Cada uma é uma projeção cilíndrica ou laminar da mucosa, com 0,5 a 1,6 mm de altura, que se projeta para o interior do lúmen intestinal. Ao microscópio, o interior do intestino delgado lembra um tapete de veludo — e esse aspecto macroscópico reflete exatamente a densa cobertura de vilosidades.

Internamente, cada vilosidade contém:

  • Uma rede capilar sanguínea que drena os nutrientes hidrossolúveis absorvidos para a veia porta
  • Um vaso quilífero central (linfático) que drena gorduras embaladas em quilomícrons
  • Células musculares lisas que promovem movimentos de contração e relaxamento das vilosidades, favorecendo o contato com o conteúdo intestinal

A superfície celular

A superfície de cada vilosidade é recoberta por enterócitos — células absortivas com vida curta (3–5 dias) que nascem nas criptas de Lieberkühn, situadas entre as vilosidades, migram até a ponta da vilosidade e são lançadas ao lúmen. Esse processo de renovação contínua garante que a mucosa mantenha sua integridade mesmo após agressões cotidianas.

Intercaladas entre os enterócitos estão as células caliciformes, que secretam muco, e as células de Paneth, nas criptas, que liberam peptídeos antimicrobianos. Juntos, esses tipos celulares formam a barreira intestinal.

Na ponta apical de cada enterócito, há ainda as microvilosidades — extensões de 1–2 micrômetros de comprimento que compõem a borda em escova. Esse terceiro nível de ampliação de superfície abriga as enzimas finais da digestão: dissacaridases (lactase, sacarase, maltase) e peptidases de borda em escova.

Quando as vilosidades são destruídas

A atrofia vilositária — achatamento ou destruição das vilosidades — é uma das alterações histológicas mais significativas da gastroenterologia. Ocorre principalmente em:

  • Doença celíaca: a resposta imune ao glúten destrói progressivamente as vilosidades do duodeno e jejuno. A classificação de Marsh descreve os graus de dano, de infiltração linfocitária (Marsh 1) até atrofia total (Marsh 3).
  • Doença de Crohn com comprometimento do intestino delgado.
  • Infecções intestinais severas (gastroenterite viral ou bacteriana): dano temporário com recuperação espontânea.
  • Quimioterapia e radioterapia abdominal: dano direto ao epitélio de rápida proliferação.

O que dizem as evidências

A relação entre atrofia vilositária e má absorção é bem documentada. Em doença celíaca, estudos histológicos consistentemente mostram que a extensão da atrofia correlaciona com o grau de deficiências nutricionais. A recuperação vilositária com a dieta sem glúten é um desfecho estabelecido, embora o tempo para recuperação completa varie consideravelmente entre os pacientes. O que ainda está sendo estudado é se há formas de acelerar essa regeneração com intervenções dietéticas complementares, como o uso de prebióticos e probióticos específicos.

Perguntas frequentes

O que é atrofia vilositária?

É a destruição parcial ou total das vilosidades intestinais, reduzindo drasticamente a superfície de absorção. É a principal alteração histológica da doença celíaca ativa. Pode causar diarreia, perda de peso, deficiências de ferro, cálcio, vitamina B12 e folato.

As vilosidades se regeneram?

Sim. O epitélio intestinal se renova a cada 3–5 dias. Na doença celíaca, a retirada do glúten da dieta normalmente permite a regeneração vilositária em meses a anos, dependendo da extensão do dano e da adesão à dieta.

Qual é a diferença entre vilosidades e microvilosidades?

Vilosidades são projeções macroscópicas (visíveis ao microscópio óptico) da mucosa intestinal, com cerca de 0,5–1,6 mm de altura. Microvilosidades são extensões nanométricas na superfície de cada enterócito individual, formando a 'borda em escova'. São dois níveis diferentes de amplificação da área absortiva.