Translocação bacteriana
Translocação bacteriana é a passagem de bactérias ou de seus componentes através da parede do intestino para o sangue e tecidos, favorecida por barreira comprometida.
Passagem de bactérias ou de seus fragmentos do interior do intestino para tecidos e para a corrente sanguínea, através da barreira intestinal.
Translocação bacteriana é a passagem de bactérias vivas, ou de fragmentos delas, do interior do intestino para onde normalmente não deveriam estar: os linfonodos próximos, outros órgãos e a corrente sanguínea. Em uma barreira intestinal íntegra, esse trânsito é mínimo e bem controlado. O problema surge quando a defesa falha e a passagem se torna significativa.
Três fatores costumam contribuir. O primeiro é o aumento da permeabilidade intestinal, quando a parede deixa passar mais do que deveria. O segundo é o excesso ou o desequilíbrio de bactérias, como na disbiose ou no supercrescimento bacteriano — quanto maior a carga microbiana, maior a pressão sobre a barreira. O terceiro é a queda das defesas do organismo, seja imune, seja das barreiras mecânicas e químicas como a acidez gástrica e a válvula ileocecal.
Mesmo quando as bactérias não atravessam inteiras, seus componentes podem passar. Um exemplo bastante estudado é o lipopolissacarídeo (LPS), presente na parede de certas bactérias: sua passagem para o sangue estimula o sistema imune e é associada a um estado inflamatório de baixo grau. A translocação é bem documentada em situações graves, como cirrose e doença crítica, e é objeto de pesquisa em quadros mais sutis ligados à saúde metabólica — embora, nesses últimos, sua real importância clínica ainda esteja sendo definida.