Válvula ileocecal
A válvula ileocecal é a comporta entre o intestino delgado e o cólon; impede que as bactérias do cólon subam para o delgado, onde causariam supercrescimento.
Estrutura que separa o fim do intestino delgado do início do cólon, controlando o fluxo e impedindo o refluxo de bactérias do cólon para o delgado.
A válvula ileocecal é a estrutura que fica na fronteira entre o íleo, a porção final do intestino delgado, e o ceco, o início do intestino grosso. Ela funciona como uma comporta com duas tarefas complementares: regular a velocidade com que o conteúdo do delgado passa para o cólon e, principalmente, impedir que esse conteúdo (e as bactérias do cólon) voltem no sentido contrário.
Esse segundo papel é importante para a saúde do intestino delgado. O cólon abriga uma população bacteriana densíssima, enquanto o delgado é mantido relativamente pobre em micro-organismos. A revisão de SIBO do StatPearls / NCBI descreve a válvula ileocecal íntegra, somada à motilidade anterógrada do íleo, como o que impede a translocação retrógrada das bactérias do cólon, ou seja, é uma das defesas que mantêm essa separação.
Quando essa barreira falha (por incompetência da válvula, alterações anatômicas ou remoção cirúrgica), a proteção se perde. Alterações anatômicas que geram estase no intestino delgado, entre elas a ressecção ileocecal, estão listadas como condições que predispõem ao SIBO, e revisões sobre a etiologia do quadro descrevem a perda da válvula como fator de risco reconhecido. Vale a ressalva: risco aumentado não é o mesmo que consequência certa; parte considerável de quem passou por ressecção ileocecal não desenvolve supercrescimento.
A válvula atua em conjunto com outros mecanismos de defesa. A mesma fonte cita a acidez gástrica e a bile, que destroem bactérias ingeridas, e a faxina periódica do complexo motor migratório, responsável por varrer o intestino delgado entre as refeições. É a soma dessas barreiras, e não uma isolada, que preserva o equilíbrio microbiano do intestino delgado.