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Endotoxemia

Endotoxemia é a passagem de LPS e outros produtos bacterianos do intestino para a circulação, disparando inflamação sistêmica de baixo grau associada a obesidade, resistência à insulina e doenças crônicas.

Fisiologia Revisado em 09 de julho de 2026
Resposta rápida

Presença de endotoxinas bacterianas (principalmente LPS) na corrente sanguínea, geralmente originadas no intestino por aumento da permeabilidade intestinal.

Endotoxemia é a presença de endotoxinas bacterianas — principalmente o LPS, componente da membrana de bactérias gram-negativas — na corrente sanguínea. No contexto digestivo, esse LPS tem origem intestinal: quando a barreira intestinal está comprometida, fragmentos bacterianos que normalmente ficariam confinados ao lúmen conseguem atravessá-la e alcançar a circulação portal e sistêmica.

O conceito de endotoxemia metabólica foi descrito de forma seminal pelo grupo de Patrice Cani, em 2007. Em estudos com camundongos, eles demonstraram que uma dieta rica em gordura elevava os níveis de LPS plasmático de forma crônica e que isso era suficiente para induzir inflamação sistêmica, ganho de peso e resistência à insulina. Em humanos, o LPS plasmático aumenta nas horas seguintes a uma refeição rica em gorduras saturadas — o que os pesquisadores chamam de endotoxemia pós-prandial.

A via de entrada mais importante não é necessariamente a translocação bacteriana direta, mas o transporte do LPS associado aos quilomícrons — partículas lipoproteicas que absorvem gorduras na mucosa intestinal. O LPS se liga à porção lipídica dos quilomícrons e é carreado para a linfa e depois para a circulação, contornando parcialmente a barreira epitelial.

Os efeitos do LPS na corrente sanguínea, mesmo em baixas concentrações, envolvem a ativação de receptores TLR4 nos macrófagos e em outras células imunes, produzindo citocinas pró-inflamatórias em quantidade discreta, mas contínua. Esse estado de ativação crônica é a inflamação de baixo grau que conecta o intestino a doenças como aterosclerose, diabetes tipo 2 e esteatose hepática.

A mensuração do LPS plasmático é tecnicamente difícil — os ensaios disponíveis têm variabilidade alta — o que limita a aplicação clínica do conceito. Por ora, a endotoxemia metabólica é mais útil como modelo mecanístico do que como alvo diagnóstico.

Perguntas frequentes

Como a alimentação influencia a endotoxemia?

Refeições ricas em gordura saturada aumentam a absorção de LPS via quilomícrons no período pós-prandial, elevando o LPS plasmático por horas. Dietas ricas em fibras tendem a reduzir esse efeito, tanto por fortalecerem a barreira intestinal quanto por modificarem a composição da microbiota. Essa é uma das justificativas propostas para os benefícios cardiometabólicos de dietas com alta ingestão de vegetais.