Termo

Célula M

As células M (microfold) são sentinelas do intestino delgado. Ficam nas criptas das placas de Peyer e têm a função de transportar antígenos — incluindo bactérias e vírus — do lúmen para as células imunes do tecido linfoide intestinal. São a principal rota de vigilância imunológica da mucosa do intestino delgado.

imunologia Revisado em 12 de julho de 2026
Resposta rápida

Célula especializada das placas de Peyer que captura antígenos e partículas do lúmen intestinal e os entrega ao sistema imune subjacente.

O que são as células M

Ao longo do intestino delgado, existem estruturas chamadas placas de Peyer — nódulos linfoides visíveis a olho nu na parede intestinal, especialmente abundantes no íleo. São os principais órgãos do tecido linfoide associado ao intestino (GALT). Cobrindo as placas de Peyer há uma região especializada do epitélio, chamada epitélio associado a folículo (FAE), onde vivem as células M.

O nome “M” vem de microfold (microdobras) — referência à superfície apical irregular dessas células, que não tem a borda em escova típica dos enterócitos e apresenta, em vez disso, dobras irregulares. Essa superfície diferenciada facilita a adesão e captura de partículas do lúmen intestinal.

Como funcionam

A célula M tem um perfil funcional único no epitélio intestinal: em vez de absorver nutrientes ou secretar muco, ela transcita — ou seja, capta material do lúmen na face apical e o libera na face basolateral, diretamente para uma bolsa formada por células imunes (principalmente células dendríticas e macrófagos) que ficam encaixadas na superfície inferior da célula M.

O processo segue estas etapas:

  1. Antígenos, partículas, bactérias ou vírus no lúmen aderem à superfície da célula M
  2. A célula internaliza o material por endocitose
  3. O material é transportado em vesículas para a face basolateral
  4. Células dendríticas e macrófagos presentes na bolsa subepitelial processam o material
  5. A informação é levada aos linfócitos T e B nas placas de Peyer
  6. Dependendo do sinal — tolerância ou alerta — o sistema imune responde com IgA secretora ou com inflamação

Interface entre lúmen e imunidade

A célula M é uma das peças centrais do sistema de vigilância imune intestinal. Ela permite que o sistema imune “veja” o que está no lúmen sem precisar abrir brechas na barreira intestinal. Esse processo é essencial tanto para a defesa contra patógenos quanto para o desenvolvimento e manutenção da tolerância oral — a capacidade do sistema imune de não reagir a alimentos inofensivos e comensais bacterianos.

A imunoglobulina A secretora (IgA), produzida em resposta a esse processo, é depois exportada de volta para o lúmen intestinal, onde reconhece e neutraliza antígenos específicos sem precisar acionar resposta inflamatória sistêmica.

O que dizem as evidências

O papel das células M na imunidade intestinal é bem estabelecido em modelos animais e suportado por evidências histológicas em humanos. O campo de pesquisa ativo envolve como modular a atividade das células M para melhorar vacinas orais e como patógenos específicos subvertem sua função. Também há interesse crescente na relação entre densidade de células M e doenças inflamatórias intestinais, mas os dados em humanos ainda são insuficientes para conclusões definitivas.

Perguntas frequentes

Por que as células M são importantes para vacinas orais?

Vacinas administradas por via oral precisam estimular o sistema imune intestinal. As células M são a principal porta de entrada para antígenos vacinais nas placas de Peyer. Entender como elas reconhecem e transportam partículas é fundamental para o desenvolvimento de vacinas orais eficazes contra patógenos entéricos.

Patógenos exploram as células M para entrar no organismo?

Sim. Algumas bactérias (Salmonella, Yersinia, Listeria) e vírus (poliovírus, HIV em contexto intestinal) evoluíram mecanismos para usar as células M como 'porta dos fundos', atravessando a barreira intestinal de forma mais eficiente do que pelos enterócitos convencionais.