NICE Guideline: diagnóstico e manejo da SII na atenção primária
Diretriz do NICE, do Reino Unido, sobre síndrome do intestino irritável em adultos. Voltada sobretudo à atenção primária, orienta como diagnosticar com poucos exames, quando investigar sinais de alarme e como conduzir o tratamento de forma escalonada, da dieta e do estilo de vida aos medicamentos.
- Organização
- National Institute for Health and Care Excellence
- Ano
- 2008
- Documento oficial
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Considerar o diagnóstico de SII em quem apresenta dor ou desconforto abdominal, distensão ou alteração do hábito intestinal por pelo menos seis meses, na ausência de sinais de alarme.
Investigar sinais de alarme — perda de peso não intencional, sangramento retal, história familiar de câncer de intestino ou de ovário, alteração recente do hábito após os 60 anos — antes de firmar o diagnóstico.
Limitar os exames iniciais: hemograma, marcadores inflamatórios, sorologia para doença celíaca; a colonoscopia não é necessária de rotina para diagnosticar SII.
Orientar primeiro dieta e estilo de vida (padrão alimentar, fibras conforme o subtipo, atividade física) e escalonar para medicamentos dirigidos aos sintomas quando necessário.
Sobre a diretriz
A diretriz do NICE — o instituto britânico que orienta a prática clínica no sistema público de saúde do Reino Unido — trata da síndrome do intestino irritável em adultos, com forte ênfase na atenção primária. Seu público principal é o médico de família, e isso molda todo o documento: as recomendações priorizam decisões que podem ser tomadas na primeira linha de cuidado, sem depender de exames sofisticados ou de encaminhamento imediato ao especialista.
A filosofia central é de contenção sensata. A SII é comum, e a diretriz parte do princípio de que, na maioria dos casos, ela pode ser diagnosticada e conduzida com poucos recursos, desde que se afastem os sinais que exigem investigação mais profunda.
Principais recomendações
O primeiro pilar é o diagnóstico clínico. A diretriz orienta considerar SII em pessoas com dor ou desconforto abdominal, distensão ou mudança do hábito intestinal presentes por pelo menos seis meses. Não se trata de diagnóstico por exclusão infinita, e sim de reconhecer um padrão sintomático característico.
O segundo pilar são os sinais de alarme. Antes de firmar o diagnóstico, o clínico deve investigar bandeiras vermelhas — perda de peso não intencional, sangramento retal, história familiar de câncer de intestino ou de ovário, alteração recente do hábito intestinal em pessoas mais velhas, entre outros. A presença dessas bandeiras muda a rota e exige investigação dirigida.
O terceiro pilar é a parcimônia nos exames. A diretriz recomenda um conjunto enxuto de testes iniciais — como hemograma, marcadores inflamatórios e sorologia para doença celíaca, condição que pode imitar a SII. Um ponto que costuma surpreender: a colonoscopia não é necessária de rotina para diagnosticar SII em pacientes sem sinais de alarme, reservando-se para situações específicas.
No tratamento, a lógica é escalonada. Começa-se por dieta e estilo de vida — padrão alimentar regular, ajuste de fibras conforme o subtipo, atividade física, manejo do estresse — e só então se avança para medicamentos dirigidos ao sintoma predominante, seja a diarreia, a constipação ou a dor. Abordagens dietéticas mais estruturadas, como a dieta Low FODMAP, entram como recurso orientado, e não como primeiro passo indiscriminado.
Força das evidências
Boa parte das orientações do NICE tem caráter de boa prática e consenso, refletindo a natureza do tema: muito do manejo da SII repousa em julgamento clínico acumulado, não em ensaios de alta qualidade para cada decisão. As recomendações sobre diagnóstico e sinais de alarme são fortes por segurança e razoabilidade, ainda que sustentadas mais por consenso do que por experimentos. As de tratamento variam conforme a intervenção.
O que muda na prática
A diretriz oferece um caminho claro e realista para o médico de família: reconhecer o padrão, checar sinais de alarme, pedir poucos exames bem escolhidos e tratar de forma progressiva, começando pelo que é simples e de baixo risco. Para o paciente, transmite uma mensagem importante — SII é um diagnóstico positivo e legítimo, não um rótulo de “não achamos nada”, e não exige uma bateria interminável de exames quando o quadro é típico e sem alarmes.