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Hemorroidas

As hemorroidas são coxins de vasos sanguíneos que todos temos no canal anal e que ajudam no controle das fezes. Elas só viram problema quando incham, se dilatam ou se deslocam, causando sangramento vermelho-vivo, coceira e, às vezes, dor. São extremamente comuns na vida adulta.

Evidência alta CID K64 Revisado em 12 de julho de 2026
Resposta rápida

Hemorroidas não são um corpo estranho: são estruturas vasculares normais do canal anal, presentes em todo mundo, que participam da continência. O que chamamos de doença hemorroidária acontece quando esses coxins se ingurgitam, se dilatam ou prolapsam, provocando sangramento sem dor, coceira, saliências ou incômodo. As internas se dividem em graus I a IV; as externas ficam na borda do ânus.

O que é

Ao contrário do que o senso comum sugere, hemorroidas não são uma doença que algumas pessoas têm e outras não. São estruturas normais do canal anal — coxins formados por vasos sanguíneos, tecido de sustentação e músculo — presentes em todo mundo desde o nascimento. Elas cumprem uma função útil: contribuem para o fechamento fino do ânus e para a continência, ajudando a segurar gases e fezes.

O problema, chamado com mais precisão de doença hemorroidária, surge quando esses coxins se ingurgitam de sangue, se dilatam ou deslizam para baixo. Aí aparecem os sintomas. Fazer essa distinção não é preciosismo: entender que a estrutura é normal ajuda a compreender por que o tratamento, na maioria das vezes, mira em reduzir a pressão e o esforço sobre a região, e não em “remover” algo que deveria existir.

Tipos e graus

As hemorroidas se dividem conforme a posição. As internas ficam acima de uma linha anatômica dentro do canal anal, numa região com poucas terminações de dor, e por isso costumam sangrar sem doer. As externas ficam na borda do ânus, numa área sensível, e podem causar dor, sobretudo quando um coágulo se forma dentro delas — a chamada trombose hemorroidária, que provoca uma saliência dura e dolorida de aparecimento súbito.

As internas ainda são classificadas em quatro graus conforme o prolapso: do grau I, sem saliência externa, ao grau IV, permanentemente para fora. Essa graduação orienta o tratamento, porque os graus iniciais respondem bem a medidas simples, enquanto os avançados podem exigir procedimentos.

Sintomas

O sintoma mais característico é o sangramento vermelho-vivo, que pinga no vaso, mancha o papel ou reveste as fezes, tipicamente sem dor nas hemorroidas internas. Somam-se coceira e irritação na pele ao redor do ânus, sensação de saliência ou de peso, e desconforto que pode piorar com o esforço para evacuar ou com a urgência evacuatória. Dor mais forte sugere trombose de hemorroida externa ou outra causa anal, como fissura.

Vale um alerta importante: a dor abdominal não é sintoma típico de hemorroida. Quando aparece dor na barriga junto com o sangramento, é sinal para pensar em outras causas e não atribuir tudo às hemorroidas.

Como é diagnosticada

O diagnóstico é clínico, feito pelo exame proctológico — inspeção da região anal, toque retal e, quando indicado, anuscopia, que permite ver as hemorroidas internas. O ponto decisivo, porém, não é confirmar a hemorroida, e sim afastar causas mais sérias de sangramento. Por isso, em pessoas acima de 40 a 50 anos, ou diante de sinais de alerta como mudança do hábito intestinal, perda de peso, anemia ou história familiar de câncer de intestino, indica-se colonoscopia para investigar pólipos, doença inflamatória e câncer.

Atribuir todo sangramento anal a hemorroidas sem essa avaliação é um erro comum e potencialmente grave, porque pode adiar o diagnóstico de doenças que se beneficiam de tratamento precoce.

O que dizem as evidências

O tratamento conservador conta com boa sustentação. Aumentar a fibra da alimentação e a ingestão de líquidos reduz de forma consistente o sangramento e o desconforto, ao amolecer as fezes e diminuir o esforço para evacuar — é uma das recomendações mais sólidas nesta área. Suplementos de fibra como o psyllium ajudam quem não atinge a quantidade necessária pela comida, e um padrão alimentar rico em vegetais, frutas e grãos, como a dieta mediterrânea, naturalmente favorece esse objetivo. Evitar longos períodos sentado no vaso e não forçar completam as medidas básicas.

Banhos de assento em água morna aliviam o desconforto e são amplamente usados, ainda que apoiados mais na experiência clínica do que em ensaios robustos. Pomadas e supositórios oferecem alívio sintomático temporário, sem corrigir a causa, e os que contêm corticoide não devem ser usados por muitos dias seguidos.

Quando as medidas conservadoras não bastam, ou nos graus mais avançados, entram os procedimentos. A ligadura elástica é eficaz para hemorroidas internas de graus intermediários e pode ser feita em consultório; a cirurgia fica reservada para casos maiores, externos volumosos ou refratários. A evidência para as medidas conservadoras é forte; para a escolha entre os diferentes procedimentos, é mais moderada, e a decisão deve levar em conta o grau, os sintomas e a avaliação individual do proctologista.

Perguntas frequentes

Todo sangramento nas fezes é hemorroida?

Não, e essa é a armadilha mais perigosa. O sangramento vermelho-vivo que pinga no vaso ou aparece no papel é típico de hemorroidas, mas exatamente os mesmos sinais podem vir de pólipos, doença inflamatória ou câncer de intestino. Por isso, atribuir todo sangramento a hemorroidas sem avaliação é arriscado, sobretudo a partir dos 40 a 50 anos ou quando há outros sinais de alerta. A regra é: hemorroida é um diagnóstico que se confirma examinando, não que se presume.

As hemorroidas têm graus? O que isso significa?

As internas são classificadas em quatro graus conforme o prolapso. No grau I, não há saliência para fora; no II, prolapsam ao evacuar e voltam sozinhas; no III, prolapsam e precisam ser reposicionadas com a mão; no IV, ficam permanentemente para fora. O grau ajuda a decidir o tratamento: os iniciais respondem bem a medidas conservadoras, e os mais avançados podem exigir procedimentos.

Fibra e água resolvem mesmo?

Para a maioria dos casos leves a moderados, sim, e essa é uma das recomendações com melhor sustentação científica. Aumentar a fibra na alimentação e a ingestão de líquidos amolece as fezes, reduz o esforço para evacuar e diminui o sangramento e o desconforto. Suplementos de fibra, como o psyllium, ajudam quem não consegue chegar à quantidade necessária só pela comida.

Quando é preciso procedimento ou cirurgia?

Quando as medidas conservadoras não bastam ou o grau é mais avançado. Há opções de consultório, como a ligadura elástica das hemorroidas internas, e a cirurgia para casos maiores ou externos volumosos. A escolha depende do grau, dos sintomas e da avaliação do proctologista, e a decisão deve ser individual.

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