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Células T regulatórias

As células T regulatórias (Tregs) são guardiãs do equilíbrio imune intestinal. Produzem citocinas anti-inflamatórias e ensinam o sistema imune a tolerar alimentos e bactérias comensais que não representam ameaça.

Imunologia Revisado em 09 de julho de 2026
Resposta rápida

Linfócitos T especializados em suprimir respostas imunes excessivas, fundamentais para a tolerância oral e para evitar inflamação intestinal descontrolada.

As células T regulatórias (Tregs) são uma subpopulação de linfócitos T CD4+ identificada pelo fator de transcrição FoxP3, que é essencial para sua identidade e função. A descoberta de que existem células T especializadas em suprimir a resposta imune — em vez de amplificá-la — mudou a compreensão da imunologia no final dos anos 1990 e explicou fenômenos que antes eram mal compreendidos, como a tolerância a antígenos próprios e a tolerância oral.

As Tregs exercem seu efeito supressor principalmente por meio de duas citocinas anti-inflamatórias: a IL-10 e o TGF-β. A IL-10 inibe a ativação de macrófagos e células dendríticas; o TGF-β suprime linfócitos T efetores e favorece a diferenciação de mais Tregs a partir de células T naïve. O resultado é um feedback negativo que amortece respostas inflamatórias excessivas.

No intestino, a função das Tregs é central para algo chamado tolerância oral: o estado em que o sistema imune aprendeu a não atacar proteínas de alimentos inofensivos e bactérias comensais que colonizam o trato digestivo desde o nascimento. O intestino tem uma das maiores concentrações de Tregs do organismo, especialmente no cólon.

A microbiota participa ativamente nesse processo. Ácidos graxos de cadeia curta, em especial o butirato produzido pela fermentação bacteriana de fibras, promovem a diferenciação de células T naïve em Tregs no cólon — um dos mecanismos mais concretos que ligam a dieta à regulação imune. Certas bactérias, como as do clado Clostridium clusters IV e XIVa, também estimulam a geração de Tregs por mecanismos independentes do butirato.

Quando as Tregs são insuficientes ou disfuncionais, o equilíbrio se rompe. Nas doenças inflamatórias intestinais, há evidências de que a função regulatória está comprometida, permitindo que respostas inflamatórias contra a microbiota comensal persistam e causem dano tecidual. Em alergias alimentares e enteropatias autoimunes, a falha de tolerância oral é o mecanismo central.

Perguntas frequentes

Células T regulatórias têm relação com alergias alimentares?

Sim. Uma das funções centrais das Tregs é manter a tolerância oral — o estado em que o sistema imune aprendeu a não reagir a proteínas alimentares inofensivas. Quando a geração de Tregs é insuficiente na infância precoce, essa tolerância pode não ser estabelecida adequadamente, aumentando o risco de alergias alimentares. É por isso que a exposição precoce a alimentos alergênicos é recomendada por diretrizes atuais.